sábado, 9 de fevereiro de 2008

Boteco


QUEM NUNCA ENTROU NUM BOTECO,
SÓ PASSOU PELA VIDA,
NÃO VIVEU!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Solução de Vida

Uma letra de música que é um verdadeiro poema.

de Paulinho da Viola


Acreditei na paixão
E a paixão me mostrou
Que eu não tinha razão

Acreditei na razão
E a razão se mostrou
Uma grande ilusão

Acreditei no destino
E deixei-me levar
E no fim
Tudo é sonho perdido
Só desatino, dores demais

Hoje com meus desenganos
Me ponho a pensar
Que na vida, paixão e razão,
Ambas têm seu lugar

E por isso eu lhe digo
Que não é preciso
Buscar solução para a vida
Ela não é uma equação
Não tem que ser resolvida

A vida, portanto, meu caro,
Não tem solução

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

SONETOS


ANTERO DE QUENTAL


Intimidade


Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobiçosa,
És bela - e se te não comparo à rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda...

Anda-me às vezes a cabeça à roda,
Atrás de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.

Mas é na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!

E não te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo,
Juras - mentindo - que me tens amor...


Uma Amiga

Aqueles que eu amei, não sei que vento
Os dispersou no mundo, que os não vejo...
Estendo os braços e nas trevas beijo
Visões que a noite evoca o sentimento...

Outros me causam mais cruel tormento
Que a saudade dos mortos... que eu invejo...
Passam por mim... mas como que tem pejo
Da minha soledade e abatimento!

Daquela primavera venturosa
Não resta uma flor só, uma só rosa...
Tudo o vento varreu, queimou o gelo!

Tu só foste fiel - tu, como dantes,
Inda volves teus olhos radiantes...
Para ver o meu mal... e escarnecê-lo!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"Quem paga a banda, escolhe a música "



PABLO NERUDA,
poeta chileno,
um dos alvos mais notórios da CIA
Livro expõe a luta anticomunista de agentes culturais da CIA


Na luta por corações e mentes durante os anos de Guerra Fria,
a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos)
teve um braço armado de dólares para promover o
"american way of life" (estilo de vida americano).
Tudo para cooptar intelectuais e artistas em sua campanha
anticomunista, especialmente contra a União Soviética.
A ação foi investigada ao longo de cinco anos pela jornalista
inglesa Frances Stonor Saunders e resultou em
" Quem Pagou as Contas? — A CIA na Guerra Fria da Cultura" ,
originalmente lançado em 1999 pela Granta.

Para sorte dos brasileiros, o livro acaba de chegar
às livrarias do país.
Frances evita destacar um caso de interferência mais perturbadora:
O envolvimento da CIA na cultura foi uniformemente
pernicioso e errado". Mas conta, por exemplo,
que o expressionismo abstrato, de artistas como Jackson Pollock,
foi a "arte oficial" do período. Tratava-se de um implícito ataque
ao realismo tão amplamente desenvolvido pela União Soviética.
Segundo a autora, a área mais "frutífera" para a agência americana
foi a de revistas e livros. Autores progressistas
— como o poeta chileno Pablo Neruda ou o filósofo
francês Jean-Paul Sartre — “não eram bem-vindos como participantes”,
revela Frances em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

A CIA, por sinal, fez ardilosa campanha para que Neruda não
recebesse o Nobel de Literatura.

Leia abaixo trechos da entrevista de Frances Stonor Saunders à Folha.

A senhora encontrou muitos obstáculos oficiais para a sua pesquisa?

Meu pedido por documentação na CIA não obteve êxito.
O Ato de Liberdade de Informação tem muito pouco efeito quando
se trata de extrair material da CIA. Mas outras fontes de arquivo
são muito ricas em termos de material da agência, principalmente
porque ela trabalhou bem de perto com o setor privado para
promover seus programas.
Grandes instituições filantrópicas — a Fundação Ford, por exemplo
— trabalharam com a CIA fornecendo dutos para seus dólares.
E havia muitas fundações testas-de-ferro que,
para manter as aparências, mantiveram suas contas e seus registros.

Uma vez que era sabido quais foram criadas pela CIA,
foi relativamente fácil inspecionar seus documentos.
Quais eram os objetivos da CIA?

A agência estava tentando promover uma idéia:
a "pax" americana era a coisa certa. A cultura, a arte e as idéias
americanas eram os lugares onde as liberdades eram expressas
e protegidas. Tudo que tinha a ver com o comunismo era mau,
e o antiamericanismo era uma traição dos princípios fundamentais
que sustentavam a liberdade de expressão.

O que os "agentes culturais" da CIA fizeram
para disfarçar suas verdadeiras intenções?

A CIA disfarçou seu investimento em cultura escondendo-se atrás
de uma série de frentes de atuação, sendo a mais bem-sucedida delas
o Congress for Cultural Freedom (congresso pela liberdade cultural).
Para tanto, ela confiou a um círculo de intelectuais a proteção
de seu segredo e o cultivo de seus investimentos.

Mas houve alguns descuidos incrivelmente estúpidos:
a operação financeira deixou um rastro de documentos,
como fios pendurados na parte anterior de um rádio.
Uma vez que as suspeitas vieram à tona, foi fácil trilhar o caminho do
dinheiro que levava à CIA. No meio da década de 60, muita gente
sabia de onde o dinheiro vinha.

Mas muitas pessoas que estavam recebendo diárias da agência
não queriam reconhecer o fato e enfiaram suas cabeças na areia.
Elas sabiam, mas não queriam saber. Outras certamente sabiam em
detalhes o que estava acontecendo e estavam envolvidas no engano
a seus colegas e a seu público. E o legado desse acordo notório ainda está,
acredito eu, sendo experimentado.

Entre todas as áreas da cultura, qual a senhora acha que a CIA
investiu mais e por quê?

O programa de Guerra Fria cultural era muito abrangente,
mas era em grande parte sofisticado e erudito. Ele não investiu muita
energia ou dinheiro em cultura popular, mas se concentrou em
atividades intelectuais — periódicos, seminários, concertos,
exposições de arte — porque ele queria conquistar a elite intelectual
e aproximá-la da idéia de que o futuro da liberdade estava
indissociavelmente ligado aos valores americanos, ao poder americano.
Quais áreas da cultura foram mais "frutíferas" para a CIA?

Provavelmente, o melhor retorno para a agência foram as áreas
dos periódicos e livros. A CIA tinha um programa de publicações
e revistas bem abrangente e tinha um bom orçamento
— com o qual foi possível atrair algumas das melhores mentes
da era pós-guerra e dar a essas pessoas a plataforma para transmitir
suas idéias. Não é necessário dizer que tais idéias tinham de dizer,
em menor ou maior grau, simpáticas aos pagadores da CIA.

Pablo Neruda ou Sartre não eram bem-vindos como participantes.
Alguns daqueles artistas não teriam hoje
a mesma importância sem a influência da CIA?

É possível questionar a reputação de alguns escritores e artistas
à luz do que sabemos sobre o envolvimento da CIA na
Guerra Fria cultural. Por outro lado, a agência fez de tudo
para prejudicar Pablo Neruda, não apenas por sua visão política
mas também como escritor. Ela, em segredo, fez campanha
contra a premiação dele com o Nobel.
Mas muitos escritores ou pensadores menores de repente se viram tirando
proveito de passagens de primeira classe para viajar pelo mundo
e fazer palestras tendo uma plataforma fornecida pelo braço secreto
do governo americano. Quantos deles estavam
destinados a parar nos porões dos sebos de livros?

No meu capítulo sobre o expressionismo abstrato, eu não questiono
o valor estético do movimento ou o impacto que ele teve,
e continua a ter, na história da arte. Mas mostro como a CIA estava
envolvida num cartel cujo principal objetivo era asseverar os méritos
do expressionismo abstrato como propaganda da liberdade americana,
e isso foi feito em detrimento de outros tipos de arte.
O movimento se tornou a arte oficial da Guerra Fria americana,
o tipo de arte que os diretores da CIA colocavam na parede de suas salas.
Acho importante saber como isso ocorreu.
Pode-se comparar esta política ao que foi feito
durante o nazismo e na União Soviética?

O que a CIA fez foi infinitamente mais sofisticado do que fizeram
os nazistas ou os soviéticos. Não se tratava de armar estratégias
para forçar pessoas a seguir a linha oficial.
O que CIA desenvolveu foi uma forma muito sutil de propaganda:
o tipo em que as pessoas envolvidas em sua produção, e aquelas
envolvidas em seu consumo, sequer sabiam o que é propaganda.
Então, nada de agrupamentos de massa, pinturas realistas
mostrando trabalhadores brandindo suas ferramentas contra
a opressão dos capitalistas. Pelo contrário, você mostra às pessoas
o expressionismo abstrato, que aparentemente não significa nada,
e você diz "olhe como somos livres, tão livres que produzimos arte
que significa tudo e nada ao mesmo tempo".

E o que você obtém é um dispositivo bem inteligente
para encorajar a idéia de que a América é a campeã da liberdade,
apesar do que esteja acontecendo em seu nome ou
sob seus auspícios (o estabelecimento de ditaduras na
América Latina, a interferência com esquadrões da morte, tortura, etc.).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

coisadiloco

(texto de Cris*)

detalhe do desfile da Vai Vai emfoto de Jonne Roriz/Agencia Estado
adoro o brasil.
coisadiloco.


Vai vai ganhou o carnaval em sampa. é uma escola do bairro de bela vista ou bixiga.
bixiga porque houve uma epidemia de varíola na região e o nome pegou.

é perto do centro, um bairro de italianos, onde ha varias cantinas e teatros. agora tem muito nordestinos e japoneses morando lá também.

minha filha foi ver o desfile e disse que a única escola que levantou a avenida foi a vai vai. meu genro ficou bravo porque no único desfile que ele foi ver não tinha mulher pelada.
nessa escola tem muito descendente de japoneses desfilando. geléia geral.

enfim, a vai vai não tem barracão para ensaiar, então vai na rua mesmo.
logo depois da apuração, o que fazem os sambistas? vão pra igreja de aquiropita, acho que é isso mesmo, umas 300 pessoas, na frente da igreja rezando, na maior concentração. coisadiloco. depois saem pra rua comemorar, já que não tem quadra.

comemoração da Vai Vai, em foto de Luiza Brito/portal G1

Só que hoje é dia de feira no bixiga, dia de pastel, e o povo sai sambando no meio dos tomates e peixes.

está a maior festa por aqui. os vizinhos berrando pros sambistas calarem a boca, os feirantes berrando pra vender o peixe, os sambistas berrando, cantando o samba vencedor, já no maior pileque. rsrsrsr.
vai um chops e dois pastel ai?

nossa elite é uma droga, mas o povo, ah esse sabe fazer uma bela bagunça.
paulista pode não saber sambar, mas que sabe fazer festa, lá isso sabe.


* publicado originalmente na comunidade do Orkut Edu Lobo - Lado B

Heloísa

Conheçam Heloísa,
música de Deco Lage, interpretada por Ciríaco

HUMOR

O homem se aproxima da jovem sentada sozinha no bar e oferece uma bebida.
- O quê? Para o motel? – pergunta ela, aos gritos.
- Não, você não entendeu direito – apressa-se em explicar o homem. - Só estou oferecendo uma bebida.
- Você está me convidando para ir ao motel com você? – repete a mulher, em voz mais alta.
Desnorteado e constrangido, o homem se dirige a uma mesa do canto, sob o olhar curioso dos outros clientes.
Depois de alguns minutos, a mulher vai até ele e se justifica:
- Sinto muito ter causado aquela cena, mas estudo psicologia e minha tese é sobre o comportamento humano em situações inusitadas.
- O quê? – berra o homem. - 300 reais?

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A moça vai procurar emprego como doméstica.
- Há uma vaga disponível, mas tem de ser uma pessoa estável – comenta a recrutadora.
- Tenho certeza de que sou a pessoa indicada. Fiquei 12 anos na última casa!
- Doze anos? Puxa, que maravilha! E onde era essa casa?
- A Casa de Detenção!

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O pai, já idoso, nota os comprimidos de Viagra do filho no armário de remédios.
- Posso experimentar? – pergunta.
- Claro, diz o filho. - Mas aproveite bem. Cada comprimido desses custa 30 reais.
O pai fica chocado com o preço.
- Não se preocupe – garante ao filho. - Eu vou lhe devolver o dinheiro.
Na manhã seguinte, no café da manhã, o filho encontra um envelope debaixo do seu prato. Dentro há 330 reais.
- Mas, pai – surpreende-se ele - o comprimido só custa 30 reais.
- Eu sei – responde o pai, sorrindo. - Eu dei 30. Os 300 são de sua mãe.

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Dois idiotas estão andando nos trilhos do trem. Depois de alguns quilômetros, um deles reclama:
- Nossa, esses degraus estão me matando.- Não são só os degraus, é esse maldito corrimão baixo.