terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Edu Lobo fala da sua parceria com Chico

Folha de São Paulo - 09/01/94

Acho que foi o Stravinski que disse que existe o compositor e o inventor. A princípio todo mundo poderia ser compositor. Agora inventor seria aquele que a gente reconhece assim que escuta uma parte da música. Possui uma assinatura, uma caligrafia própria. Por exemplo, posso escutar qualquer coisa de Ravel que reconheço imediatamente. O Chico é um inventor.

A nossa parceria começou tarde, mas já rendeu mais de 30 músicas. A primeira música, “Moto-contínuo” (1981), foi feita para o disco que gravei com o Tom Jobim. O Chico regravou em “Almanaque” (1981). Foi feita sem patrão e sem patrocínio. Em seguida, fizemos uma série de trabalhos sob encomenda, “Circo Místico” (1983), adaptação de um poema de Jorge de Lima pelo Naum Alves de Souza, “Dr. Getúlio” (1983) de Dias Gomes, “O Corsário do Rei” (1985) do Augusto Boal e, para o balé do Teatro Guaíra, “Dança da meia-lua” (1988), com roteiro de Ferreira Gullar. A nossa última parceria, “Nego”, faz parte do disco que acabei de lançar. E o que mais impressiona é que eu faço a música e quando a letra vem, ela vem redonda, não precisa ajustar nada.
Recentemente aconteceu uma coisa curiosa. Num dos nossos últimos trabalhos o Chico fez uma letra, “Cegos em Granada”, não sei por que razão não aproveitamos. Resolvi fazer uma brincadeira com o Chico, musiquei esta letra, botei numa fita e enviei para ele. A principio ele não reconheceu, depois me telefonou. Fiz meio à traição.

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